sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A Nova Era de Muriel von Macleyne

Conto I 

Historias Cruzadas . . . 


Ora, ora… quem diria?
Anos se passaram desde a criação deste pequeno refúgio — um blog que nasceu para abrigar aquilo que o mundo real, às vezes, não sabe acolher. Hoje, ao revisitar estas páginas, percebo que já não sou o mesmo que escrevia nas madrugadas frias, buscando conforto em palavras que, até então, nem sempre ousavam dizer a verdade.

Quanta coisa aconteceu…
Quanta vida se acumulou entre um silêncio e outro.

Consegui erguer minha própria empresa — um sonho que por tanto tempo achei grande demais para minhas mãos. Vi meu sobrinho crescer, quase como se o tempo o tivesse puxado pela mão enquanto eu piscava distraído. E, num daqueles raros momentos em que a vida decide ser generosa, realizei uma viagem internacional com amigas incríveis: sete dias no Caribe, mais precisamente em Wisteland, Curaçao. Era aniversário de um deles, e juntos decidimos celebrar sob um sol que parecia dourar até nossos pensamentos. Sete dias… mas que carrego como se fossem sete anos de lembranças.

Nessa fase da minha vida, trabalho como coordenador de RH e também como dono de meu próprio negócio. Nunca imaginei que um dia escreveria isso com tanta naturalidade.
E, falando em naturalidade… sim, me casei. Com um homem cujo nome, de tão peculiar, chegava a lembrar o de um príncipe perdido — Dean. Hoje, não escondo mais: não preciso me camuflar atrás de pseudônimos ou de roteiros inventados para justificar ausências e dores. Esta é a nova era, a primeira em que escrevo sem máscaras… ou quase, porque alguns detalhes ainda precisam permanecer nas sombras por motivos óbvios.

E é curioso dizer isso, mas minha relação com Dean é… turbulenta. Tóxica, às vezes. Intensa, sempre. Não que eu não esteja acostumado — minha vida jamais foi um campo florido, e entre quedas e recomeços, virei especialista em sobreviver ao que machuca.

Há também um espaço vazio que nunca preenchi: minha amiga, minha confidente,
Daniele Ophelia.
O silêncio dela após o casamento ecoa mais alto do que qualquer briga que já tive. Descobri, tarde demais, que guardava por ela um amor imenso — talvez não o amor que ela queria, mas um amor meu, torto, profundo, verdadeiro. Às noites, o mundo parece mais frio sem sua voz. Sinto falta. Uma falta que dói.

E se tem algo que também doeu — mas de uma forma cruel, irreparável — foi perder minha avó. Faz alguns meses, mas ainda parece ontem. Minha tia Kelly estava com ela quando tudo aconteceu… lembro de atender o telefone e ouvir o desespero dela porque ninguém atendia. E então, o último suspiro. Algo em mim desmoronou ali.
Até hoje, ouvir um áudio dela me rasga por dentro.
Eu daria qualquer coisa por um último abraço.

Talvez por isso eu tenha mergulhado tanto na vida, viajado tanto, buscado tanto — como se tentando fugir de algo que insiste em me seguir.

Cheguei a visitar minha irmã Letícia depois de longos anos sem ir à sua casa. Foi memorável: uma mistura de reencontro, nostalgia e aquela sensação de que o tempo não espera ninguém, mas sempre deixa espaço para um retorno.

No meio disso tudo, dois pequenos tornaram meus dias mais leves: meus pinschers, Tiffany e Jake. Tiffany está grávida, e saber que logo terei pequenos rostinhos correndo pela casa me faz acreditar que a vida continua — mesmo quando parece que o mundo inteiro descostura ao nosso redor.

E as viagens… ah, as viagens!
Nunca percorri tantos caminhos como agora.

Fui a Porto Alegre, presenteando Denis com o show da Fafá de Belém, o que se tornou uma história que ainda nos faz rir.
Corri para São Paulo para compras, voltei para Curitiba, minha “segunda casa”, onde cada rua parece sussurrar promessas de um futuro que talvez ainda me pertença.
Conheci Trindade, em Goiás, e me emociono sempre que lembro da energia do lugar.
Visitei Aparecida do Norte, onde desejei coisas que nunca contei a ninguém.
Tive a honra de ir a Guarapuava, acolhido na casa de amigos queridos que fizeram tudo parecer mais simples.

E, claro, as multas — duas ultrapassagens perigosas que custaram uma pequena fortuna.
Mas já foram pagas.
Os pontos sumiram.
E, de certa forma, parecem representar meus últimos anos: às vezes acelero demais, passo dos limites, pago caro… e sigo em frente.

Hoje, deixo registrado neste blog — talvez para o mundo, ou talvez apenas para meus futuros sobrinhos — que minha vida tem sido uma mistura de caos e encanto.
Tumultuada, cheia de surpresas, marcada por dores profundas e alegrias inesperadas.

E este é apenas o começo da nova era.
A minha era.

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